Fundamentos Contemporâneos
de Ciências Contábeis
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Prefácio
Quando se fala em Contabilidade, muitas pessoas ainda pensam apenas em números, cálculos ou obrigações legais. No entanto, essa visão é limitada e não traduz o verdadeiro papel que a Contabilidade exerce no mundo contemporâneo.
A Contabilidade está presente nas decisões que afetam empresas, governos e a sociedade. Ela orienta a aplicação de recursos públicos, sustenta decisões de investimento, apoia políticas públicas, contribui para a transparência e fortalece a confiança entre organizações e cidadãos.
Este livro, Fundamentos Contemporâneos de Ciências Contábeis, foi elaborado para acompanhar o estudante desde o primeiro contato com o curso, oferecendo uma compreensão clara, acessível e contextualizada da Contabilidade como ciência social aplicada, conforme estabelecem as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Ciências Contábeis (Resolução CNE/CES nº 1/2024).
A proposta desta obra não é apenas ensinar conceitos, mas ajudar o estudante a compreender o “porquê” da Contabilidade, conectando teoria, prática, sociedade e profissão. Ao longo dos capítulos, o leitor encontrará exemplos reais, situações ilustrativas, perguntas reflexivas e atividades que dialogam com diferentes formas de aprender.
Este livro inaugura a trajetória formativa do Curso de Ciências Contábeis da Escola de Contabilidade PJP e estabelece as bases conceituais que serão aprofundadas nos estudos técnicos, nos laboratórios de prática contábil, nos projetos integradores e nas atividades de extensão.
Ao final desta leitura, espera-se que o estudante reconheça a Contabilidade como instrumento essencial para a tomada de decisão, para a governança das organizações e para o fortalecimento do interesse público, compreendendo desde cedo a relevância social e profissional da área que escolheu.
Capítulo 1
O QUE É CONTABILIDADE NO SÉCULO XXI
1.1 A Contabilidade ao longo da história: por que ela surgiu?
A Contabilidade não surgiu por acaso. Ela nasceu da necessidade humana de controlar recursos, registrar bens e prestar contas. Desde as primeiras civilizações, quando se registravam colheitas, rebanhos e tributos, já existia a preocupação em organizar informações econômicas.
Com o passar do tempo, as sociedades tornaram-se mais complexas. Surgiram empresas, Estados organizados, mercados financeiros e sistemas tributários. Cada uma dessas transformações exigiu métodos mais precisos de controle e informação, impulsionando o desenvolvimento da Contabilidade.
Imagine uma cidade que arrecada impostos, paga servidores, mantém escolas e hospitais. Sem registros contábeis confiáveis, como saber:
- quanto foi arrecadado?
- onde os recursos foram aplicados?
- se houve desperdício ou má gestão?
A Contabilidade surge exatamente para responder a essas perguntas.
1.2 Contabilidade como ciência social aplicada
No século XXI, a Contabilidade é reconhecida como ciência social aplicada, pois estuda fenômenos econômicos e patrimoniais que ocorrem dentro de um contexto social, institucional, jurídico e político.
A Contabilidade é chamada de ciência social aplicada porque:
- lida com organizações formadas por pessoas;
- influencia decisões que afetam a sociedade;
- produz informações para diversos usuários (gestores, governo, cidadãos, investidores).
1.3 Muito além da técnica: por que a Contabilidade não é só “registro”?
Durante muito tempo, a Contabilidade foi associada apenas ao cumprimento de normas e à elaboração de relatórios obrigatórios. Embora essas atividades continuem importantes, elas não representam a totalidade da atuação profissional.
Hoje, o contador analisa dados, interpreta cenários, apoia decisões, avalia riscos e contribui para a governança.
Uma empresa apresenta lucro contábil positivo, mas enfrenta dificuldades financeiras. O papel do contador não é apenas registrar o lucro, mas:
- analisar o fluxo de caixa,
- identificar riscos,
- orientar decisões estratégicas.
1.4 O contador como agente de decisão e responsabilidade social
As informações contábeis influenciam decisões que impactam trabalhadores, investidores, gestores públicos e a sociedade como um todo. Por isso, o contador assume uma posição de grande responsabilidade social.
O profissional contábil atua como mediador entre a realidade econômica da organização e os diversos usuários da informação, devendo agir com ética, transparência e compromisso com o interesse público.
As Diretrizes Curriculares Nacionais destacam que o egresso deve atuar com ética e ceticismo profissional, reconhecer dimensões social, ambiental e de governança e comunicar informações de forma clara e responsável.
1.5 Para refletir
- Por que a Contabilidade é essencial para a sociedade?
- Qual a diferença entre registrar informações e interpretá-las?
- De que forma o trabalho do contador pode impactar a vida das pessoas?
1.6 Atividade prática inicial
Escolha uma organização próxima da sua realidade (empresa, escola, prefeitura, ONG). Responda:
- Quais informações contábeis essa organização precisa?
- Quem utiliza essas informações?
- Que decisões podem ser tomadas a partir delas?
Esta atividade será retomada ao longo do curso, conectando teoria, prática e extensão.
Síntese do capítulo
- Contabilidade surgiu da necessidade de controle e prestação de contas.
- É uma ciência social aplicada.
- Vai além do registro: apoia decisões.
- O contador exerce função técnica e social.
- Ética, governança e transparência são centrais.
Capítulo 2
OBJETO, FINALIDADE E USUÁRIOS DA CONTABILIDADE
- Identificar o objeto da Contabilidade (o que ela estuda e registra).
- Compreender a finalidade da informação contábil (para que ela serve).
- Reconhecer os usuários da informação (quem usa e por quê).
- Aplicar esses conceitos em exemplos do setor privado e do setor público.
2.1 O objeto da Contabilidade: o que a Contabilidade “observa”?
Em termos simples, o objeto da Contabilidade é aquilo que ela acompanha, mede, registra e interpreta. Na prática, a Contabilidade observa o patrimônio das entidades e as variações que ocorrem ao longo do tempo.
Se a entidade fosse uma “casa”, o patrimônio seria tudo o que existe dentro dela (bens e direitos) e também o que ela deve (obrigações). A Contabilidade acompanha:
- o que entra (aquisições, receitas, investimentos, doações);
- o que sai (pagamentos, consumo, perdas, despesas);
- o que muda de valor (depreciação, reavaliação, variação cambial, provisões etc.).
- Bens: máquinas, veículos, computadores, imóveis.
- Direitos: valores a receber, convênios, créditos.
- Obrigações: contas a pagar, empréstimos, fornecedores, tributos.
- Aumentativas: entradas que aumentam o patrimônio líquido (ex.: receitas, ganhos).
- Diminutivas: saídas/consumos que reduzem o patrimônio líquido (ex.: despesas, perdas).
2.2 “Entidade”: quem pode ter Contabilidade?
A Contabilidade não é exclusiva de empresas. Qualquer organização que possua patrimônio e necessidade de prestar contas pode utilizar a Contabilidade, como:
- empresas (micro, pequenas, médias e grandes);
- órgãos e entidades públicas (prefeituras, secretarias, autarquias, fundos);
- organizações do terceiro setor (associações, fundações, ONGs);
- condomínios, cooperativas e outras formas organizacionais.
Uma escola (pública ou privada) tem: bens (prédio, equipamentos), direitos (mensalidades a receber ou repasses), obrigações (folha, fornecedores) e precisa mostrar como os recursos foram usados. Logo, precisa de informação contábil.
2.3 Finalidade da Contabilidade: para que serve a informação contábil?
A finalidade central da Contabilidade é gerar informação útil para apoiar decisões e permitir prestação de contas. Essa utilidade aparece em três grandes frentes:
- Vale a pena investir?
- Podemos contratar mais pessoas?
- Como reduzir custos sem perder qualidade?
- Estamos dentro do orçamento?
- Qual setor consome mais recursos?
- Há riscos de desperdício ou fraude?
- Como os recursos públicos foram aplicados?
- As demonstrações contábeis refletem a realidade?
- A sociedade pode compreender e fiscalizar?
- Empresa: usa informação para decidir preço, investimento, lucro, fluxo de caixa, produtividade.
- Prefeitura: usa informação para demonstrar como recursos foram aplicados, planejar serviços, controlar custos e garantir transparência.
2.4 Usuários da informação contábil: quem usa e o que quer saber?
Os usuários são todas as pessoas ou instituições que utilizam a informação contábil para decidir, acompanhar ou controlar. Para facilitar, podemos dividir em:
- Gestores e diretores
- Coordenadores e chefias
- Áreas de planejamento e orçamento
- Controle interno
Foco: gestão, desempenho, eficiência, custos e decisões.
- Investidores e credores
- Fornecedores e clientes
- Governo e órgãos de controle
- Sociedade/cidadãos
Foco: confiança, risco, conformidade, transparência e prestação de contas.
2.5 Informação financeira e não financeira: por que ambas importam?
Uma evolução importante no século XXI é a valorização de informações não financeiras junto das informações financeiras tradicionais. Exemplo:
- Financeiras: receita, despesa, custo, patrimônio, resultado, fluxo de caixa.
- Não financeiras: indicadores de desempenho, qualidade do serviço, sustentabilidade, riscos, governança, metas e resultados sociais.
Uma secretaria pode informar:
- Financeiro: total gasto com merenda escolar.
- Não financeiro: número de alunos atendidos, frequência, qualidade nutricional, resultado educacional associado.
Separadas, as informações dizem pouco. Juntas, tornam-se muito mais úteis.
2.6 Atividade interativa 1 (perfil prático): “Quem é o usuário?”
Associe cada usuário ao tipo de informação que mais precisa:
- Gestor de uma empresa
- Investidor
- Órgão de controle
- Cidadão
Pergunta: o que cada um quer saber? (responda em 2–3 linhas)
2.7 Atividade interativa 2 (perfil visual): mapa rápido
- Objeto → Patrimônio + variações
- Finalidade → Decidir + controlar + prestar contas
- Usuários → Internos + Externos
- Informação → Financeira + Não financeira
2.8 Minicaso aplicado (perfil analítico): “A decisão do gestor”
Uma organização percebe que os custos mensais estão aumentando, mas a receita permanece estável. O gestor suspeita que o problema está na manutenção e nos contratos de serviços.
Desafio: Quais relatórios/indicadores contábeis você usaria para:
- identificar onde o custo cresceu;
- comparar meses e fornecedores;
- propor uma decisão (renegociar, substituir, replanejar).
2.9 Síntese do capítulo
- O objeto da Contabilidade é o patrimônio e suas variações.
- A finalidade é produzir informação útil para decidir, controlar e prestar contas.
- Os usuários podem ser internos e externos, com necessidades diferentes.
- Informações financeiras e não financeiras se complementam.
- [ ] Eu consigo explicar “objeto” da Contabilidade com minhas palavras.
- [ ] Eu consigo dar 2 exemplos de usuários internos e externos.
- [ ] Eu consigo diferenciar informação financeira de não financeira com um exemplo real.
Capítulo 3
CONTABILIDADE, ESTADO E SOCIEDADE
- Entender por que a Contabilidade é essencial para o interesse público.
- Diferenciar prestação de contas, transparência e accountability.
- Compreender como a informação contábil fortalece o controle social.
- Reconhecer o papel do contador na ética, na governança e na confiança.
3.1 Por que a Contabilidade interessa à sociedade?
Quando pensamos em Contabilidade, é comum imaginar empresas, impostos e relatórios. Mas a Contabilidade é também uma linguagem que ajuda a sociedade a responder perguntas essenciais:
- De onde veio o dinheiro? (origem dos recursos)
- Para onde foi o dinheiro? (aplicação dos recursos)
- O resultado foi bom? (qualidade e impacto do gasto)
Se uma prefeitura anuncia a reforma de uma escola, a sociedade quer saber:
- quanto foi gasto;
- quem executou o serviço;
- se o preço foi compatível com o mercado;
- se a escola realmente melhorou para os alunos.
A Contabilidade ajuda a produzir e organizar essas evidências.
3.2 Estado, recursos públicos e interesse coletivo
O Estado administra recursos que pertencem à coletividade. Por isso, a informação contábil no setor público tem um compromisso direto com o interesse público. Esse compromisso aparece em três pilares:
- seguir regras, leis e normas;
- evitar irregularidades e desvios;
- garantir registro adequado.
- usar bem os recursos;
- comparar custos e resultados;
- melhorar serviços públicos.
- mostrar o que foi feito com os recursos;
- explicar resultados de forma compreensível;
- permitir fiscalização e participação cidadã.
3.3 Prestação de contas, transparência e accountability
Esses três termos aparecem frequentemente em textos sobre gestão pública e governança. Eles são parecidos, mas não são iguais:
- Prestação de contas: apresentar informações e justificar decisões (o que foi feito e por quê).
- Transparência: disponibilizar informações de forma acessível e compreensível.
- Accountability: além de informar, envolve responsabilidade, resposta e consequências (inclusive correções).
Se um órgão publica um relatório cheio de termos técnicos e sem explicações:
- pode estar prestando contas formalmente,
- mas não é transparente para o cidadão comum,
- e a accountability só existe se houver mecanismos de responsabilização e melhoria.
3.4 Controle social: o cidadão como usuário da Contabilidade
Controle social significa a participação da sociedade no acompanhamento e fiscalização das ações do Estado. Para que isso seja possível, a informação precisa ser:
- confiável (sem manipulação);
- completa (sem esconder o essencial);
- clara (linguagem acessível);
- oportuna (chegar a tempo).
Portais de transparência e relatórios de gestão só cumprem seu papel quando permitem que o cidadão responda perguntas práticas, como:
- Qual escola recebeu mais investimentos?
- Quanto custa manter uma unidade de saúde por mês?
- Quais serviços terceirizados mais consomem recursos?
3.5 Ética e confiança: por que o contador tem papel estratégico?
A confiança é um ativo social. Organizações públicas e privadas dependem de confiança para funcionar: confiança dos cidadãos, dos investidores, dos fornecedores e dos órgãos de controle.
Quando a informação contábil é distorcida, incompleta ou produzida sem ética, a confiança diminui — e as consequências aparecem em forma de desperdício, crise institucional, corrupção, decisões ruins e perda de credibilidade.
Em muitos contextos, o contador é o profissional que:
- organiza registros e evidências;
- explica o significado dos números;
- aponta riscos e inconsistências;
- orienta decisões mais responsáveis.
3.6 Atividade interativa 1 (perfil reflexivo): “O que é transparência de verdade?”
Pense em uma informação pública (ex.: gastos com merenda, transporte escolar, contratos de limpeza).
- Como essa informação geralmente é publicada?
- Um cidadão comum consegue entender? Por quê?
- O que você mudaria para torná-la realmente transparente?
3.7 Atividade interativa 2 (perfil prático): “Mini painel de controle social”
Escolha um tema (ex.: escola, posto de saúde, secretaria). Monte 5 indicadores:
- 2 financeiros (ex.: gasto total, custo por aluno/atendimento)
- 2 não financeiros (ex.: número de alunos/atendimentos, meta atingida)
- 1 de qualidade (ex.: avaliação do serviço, tempo de espera)
Depois, escreva uma conclusão em 5 linhas: “O que esses indicadores dizem?”
3.8 Síntese do capítulo
- A Contabilidade é relevante para a sociedade porque ajuda a explicar a origem, o uso e o resultado dos recursos.
- No setor público, a informação contábil se conecta diretamente ao interesse público.
- Prestação de contas, transparência e accountability são conceitos relacionados, mas diferentes.
- Controle social depende de informação confiável e acessível ao cidadão.
- Ética e confiança tornam o contador um agente estratégico na governança.
- [ ] Eu consigo explicar a diferença entre prestação de contas, transparência e accountability.
- [ ] Eu consigo dar um exemplo de controle social usando informação contábil.
- [ ] Eu consigo justificar por que ética é central na profissão contábil.
Capítulo 4
CONTABILIDADE, ORGANIZAÇÕES E TOMADA DE DECISÃO
- Compreender a Contabilidade como sistema de informação para decisões.
- Identificar decisões típicas e quais informações contábeis as sustentam.
- Diferenciar dado, informação e conhecimento na prática contábil.
- Entender como risco e incerteza afetam decisões e relatórios.
- Aplicar um método simples de decisão com base em informação contábil.
4.1 Por que as organizações precisam decidir o tempo todo?
Organizações existem para alcançar objetivos: produzir bens, prestar serviços, atender cidadãos, cumprir missões sociais. Para isso, precisam decidir continuamente. Algumas decisões são rotineiras; outras, estratégicas e complexas.
- comprar ou não determinado material;
- repor estoque;
- realizar manutenção preventiva;
- autorizar um pagamento;
- priorizar um atendimento ou serviço.
- expandir ou reduzir uma operação;
- terceirizar ou internalizar um serviço;
- investir em tecnologia;
- reformar um prédio público ou construir novo;
- reorganizar uma secretaria ou departamento.
Em todas essas decisões, a pergunta central é: o que os números e evidências dizem? É aqui que a Contabilidade entra como ferramenta de análise e de responsabilidade.
4.2 A Contabilidade como sistema de informação
Um sistema de informação é um conjunto organizado de processos e recursos que coleta, registra, processa e comunica informações para apoiar decisões. A Contabilidade funciona exatamente assim, com um diferencial: ela trabalha com evidências e registros que precisam ser confiáveis.
- Fato: algo acontece (compra, venda, pagamento, prestação de serviço).
- Registro: o fato é documentado e classificado.
- Processamento: os registros viram relatórios e demonstrativos.
- Análise: interpreta-se o que os números significam.
- Decisão: define-se o que fazer (e como justificar).
4.3 Dado, informação e conhecimento: qual a diferença?
Na prática contábil e gerencial, é comum confundir esses termos. A diferença é decisiva para uma boa tomada de decisão.
É o “bruto”. Um número isolado, um lançamento, uma nota fiscal. Ex.: “R$ 48.000,00”.
É o dado contextualizado. Ex.: “R$ 48.000,00 foi o gasto mensal com limpeza na unidade X”.
É a capacidade de interpretar a informação e tomar decisões melhores. Ex.: “O gasto com limpeza aumentou 30% em 3 meses; precisamos verificar contrato, metragem e rotina de serviço”.
Um relatório pode dizer que o custo de manutenção cresceu. Isso é informação. O conhecimento aparece quando alguém consegue explicar por que cresceu e o que fazer para corrigir.
4.4 Informação contábil para decisões: o que a gestão costuma perguntar?
Para decisões, gestores precisam de respostas objetivas. A Contabilidade ajuda a responder perguntas como:
- Estamos tendo resultado?
- O desempenho está melhorando?
- Quais áreas geram mais valor?
- Quanto custa manter este serviço?
- Qual unidade é mais eficiente?
- Onde há desperdício?
- Há risco de fraude?
- O processo é confiável?
- O controle interno funciona?
- Podemos sustentar essa despesa?
- Como financiar a expansão?
- Qual impacto no futuro?
4.5 Risco e incerteza: o que muda na decisão?
Decidir envolve futuro, e futuro envolve incerteza. A Contabilidade não elimina a incerteza, mas fornece evidências e critérios para reduzir erros.
- Risco: é quando conseguimos estimar probabilidades (ex.: inadimplência média).
- Incerteza: é quando não sabemos bem o que pode acontecer (ex.: mudança abrupta de política econômica).
Uma prefeitura decide contratar um serviço terceirizado. Há riscos (preço, qualidade, continuidade) e incertezas (mudanças legais, crises). A informação contábil ajuda a:
- comparar custos internos x terceirização;
- avaliar histórico do fornecedor;
- simular cenários de aumento de preço;
- documentar justificativas.
4.6 Método prático: “Decidir com base em informação contábil”
Um método simples (e muito útil no início do curso) é seguir 5 passos:
- Problema: qual decisão precisa ser tomada?
- Perguntas: o que precisamos saber para decidir?
- Provas: quais dados/relatórios evidenciam a realidade?
- Possibilidades: quais alternativas existem?
- Plano: qual decisão, com justificativa e monitoramento?
4.7 Atividade interativa 1 (perfil prático): “Escolha baseada em custos”
Uma organização avalia executar limpeza internamente ou contratar terceirizada.
Desafio: liste 6 itens que você compararia no custo:
- 3 itens do custo interno (ex.: salários, materiais, EPIs, equipamentos…)
- 3 itens do custo terceirizado (ex.: valor do contrato, reajustes, fiscalização…)
Conclusão: qual alternativa parece mais “controlável” e por quê?
4.8 Atividade interativa 2 (perfil visual): “Do fato ao relatório”
Desenhe um fluxo com setas (pode ser no caderno):
Fato → Documento → Registro → Relatório → Análise → Decisão
Agora aplique a um exemplo real: “compra de material” ou “pagamento de serviço”.
4.9 Minicaso aplicado (perfil analítico): “O custo invisível”
Uma unidade pública trocou um equipamento antigo por um novo. O gasto com aquisição foi registrado, mas os custos de energia, manutenção e treinamento aumentaram. O gestor percebeu que a decisão “barata” ficou cara ao longo do tempo.
Perguntas:
- Quais custos “invisíveis” poderiam ter sido estimados antes?
- Que relatórios ajudariam a monitorar o custo total após a compra?
- Como você comunicaria essa análise para um público não técnico?
4.10 Síntese do capítulo
- Organizações decidem o tempo todo; decisões exigem evidências.
- A Contabilidade funciona como sistema de informação para registrar, processar e comunicar dados.
- Dado é bruto; informação é contextualizada; conhecimento é interpretação para agir.
- Risco e incerteza afetam decisões; a Contabilidade ajuda a reduzir erros.
- O método 5P orienta decisões com base em informação contábil.
- [ ] Eu consigo explicar a Contabilidade como sistema de informação.
- [ ] Eu consigo diferenciar dado, informação e conhecimento com exemplos.
- [ ] Eu consigo aplicar o método 5P a uma decisão simples.
Capítulo 5
PENSAMENTO CIENTÍFICO APLICADO À CONTABILIDADE
- Diferenciar conhecimento científico de conhecimento técnico na Contabilidade.
- Entender o que é método científico e como ele se aplica à área contábil.
- Compreender por que a Contabilidade precisa de evidências, critérios e julgamento.
- Praticar a leitura crítica de dados e relatórios (ceticismo profissional inicial).
- Construir um mini problema de pesquisa aplicado (base para TCC, artigos e projetos).
5.1 Por que falar de ciência em um curso de Contabilidade?
Muita gente entra em Ciências Contábeis pensando que vai aprender apenas “como fazer”: lançar, calcular, apurar, emitir, fechar. Isso é importante, mas não basta para formar um contador capaz de lidar com problemas complexos.
O contador contemporâneo precisa entender também:
- o porquê das normas e procedimentos;
- o impacto das decisões contábeis na sociedade;
- como avaliar a qualidade de uma informação;
- como produzir e interpretar evidências com responsabilidade.
Ciência, aqui, não significa “laboratório de química”. Significa raciocinar com método, testar explicações, comparar evidências e justificar conclusões.
5.2 Conhecimento técnico x conhecimento científico
Os dois são necessários, mas têm finalidades diferentes.
- focado em “como fazer”;
- aplica regras e procedimentos;
- produz resultados operacionais.
Exemplo: como registrar uma compra, como apurar um imposto, como fechar um balanço.
- focado em “por que” e “com que evidência”;
- explica fenômenos e avalia efeitos;
- permite melhorar práticas e decisões.
Exemplo: por que determinado critério gera melhor informação? qual impacto de uma política contábil no comportamento do gestor?
Técnico: registrar despesa/variação patrimonial.
Científico: avaliar se o registro e o relatório ajudam a gestão a reduzir desperdícios e melhorar serviços.
5.3 O método científico em linguagem simples
O método científico é um caminho organizado para sair de uma dúvida e chegar a uma conclusão com base em evidências. Em linguagem simples, ele envolve:
- Observação: notar um problema ou padrão (ex.: custos subiram).
- Pergunta: formular a dúvida (por que subiu?).
- Hipótese: propor explicações possíveis.
- Coleta de evidências: dados, documentos, relatórios, entrevistas.
- Análise: comparar, medir, interpretar.
- Conclusão: responder com justificativa.
- Comunicação: relatar de forma clara e verificável.
5.4 Evidência: o que conta como prova na Contabilidade?
Na Contabilidade, “evidência” significa informação verificável e justificável. Evidências podem ser:
- documentos (nota fiscal, contrato, folha, ordem de serviço);
- registros contábeis;
- relatórios e demonstrativos;
- dados operacionais (quantidade de atendimentos, alunos, manutenção realizada);
- informações externas (preços de mercado, comparações, benchmarks).
Uma boa decisão contábil e gerencial pede evidência suficiente para ser defendida: “Se alguém perguntar por quê, eu consigo mostrar?”
5.5 Ceticismo profissional (inicial): duvidar com respeito
Ceticismo profissional não é desconfiar de tudo por desconfiança. É uma postura de análise crítica: evitar aceitar uma informação sem verificar consistência.
- Esse dado faz sentido quando comparado ao mês anterior?
- Houve mudança de classificação ou de método?
- O valor está coerente com o volume de serviço?
- Existe documento e evidência para sustentar?
Se o gasto com “manutenção” dobrou, o ceticismo pede: quantos serviços foram realizados? quais fornecedores? houve emergência? mudança de contrato? erro de classificação?
5.6 Pesquisa aplicada: quando a Contabilidade vira melhoria real
Pesquisa aplicada é quando o conhecimento produzido ajuda a resolver problemas reais. Em Contabilidade, isso pode gerar:
- melhorias em controles internos;
- relatórios mais claros para a sociedade;
- redução de custos e desperdícios;
- melhor tomada de decisão;
- melhorias na transparência e governança.
“Como a implantação de um painel de custos por unidade escolar pode melhorar a gestão e a transparência do gasto educacional?”
5.7 Atividade interativa 1 (perfil prático): “Da dúvida ao método”
Escolha um tema simples: energia, água, limpeza, vigilância, merenda, manutenção.
- Observação (o que você percebeu?)
- Pergunta (qual dúvida?)
- Hipótese (duas explicações possíveis)
- Evidências (3 fontes de dados/documentos)
- Análise (como comparar?)
- Conclusão (o que você decidiria?)
5.8 Atividade interativa 2 (perfil visual): “Mapa evidência → conclusão”
Problema → Dados → Informação → Evidência → Análise → Conclusão → Decisão
Agora aplique ao seu tema escolhido e escreva 1 frase por etapa.
5.9 Minicaso aplicado (perfil analítico): “O relatório perfeito que enganou”
Uma organização publicou um relatório com gráficos bonitos, mas sem explicar método e fontes. O público ficou impressionado, porém surgiram dúvidas: os números estavam completos? havia comparação? o relatório escondia informações importantes?
Perguntas:
- Quais evidências você exigiria para confiar?
- Que informações metodológicas deveriam aparecer?
- Como comunicar resultados com transparência e sem manipulação?
5.10 Síntese do capítulo
- Contabilidade precisa de ciência porque decisões exigem método e evidências.
- Conhecimento técnico ensina “como fazer”; científico explica “por que” e “com qual prova”.
- Método científico é um ciclo: observar, perguntar, testar, analisar e comunicar.
- Evidência é o que sustenta registros, relatórios e decisões.
- Ceticismo profissional é pensar criticamente para evitar erros e manipulações.
- [ ] Eu consigo diferenciar conhecimento técnico de científico com exemplos.
- [ ] Eu consigo montar um ciclo científico para um problema de custos.
- [ ] Eu consigo listar evidências necessárias para confiar em um relatório.
Capítulo 6
NORMAS, PRINCÍPIOS E ESTRUTURA CONCEITUAL
- Entender por que existem normas contábeis e qual é sua função social.
- Diferenciar princípios, normas, políticas contábeis e procedimentos.
- Compreender a ideia de Estrutura Conceitual: a “base” por trás das normas.
- Reconhecer o papel do julgamento profissional e os limites do “cumprir regra”.
- Aplicar conceitos em exemplos do setor privado e do setor público.
6.1 Por que existem normas contábeis?
Imagine se cada organização registrasse e apresentasse seus resultados do seu próprio jeito. Seria difícil comparar, fiscalizar e confiar. As normas contábeis existem para criar um padrão mínimo que garanta:
- comparabilidade (comparar empresas/unidades/anos);
- consistência (mesma lógica ao longo do tempo);
- transparência (explicação de critérios);
- confiabilidade (redução de manipulação e erro);
- utilidade (informação que ajuda a decidir).
Normas não existem apenas para “burocracia”. Elas protegem usuários da informação — investidores, credores, gestores, órgãos de controle e cidadãos — ao tornar a informação mais consistente e verificável.
6.2 Princípios, normas, políticas e procedimentos: não confundir
São fundamentos que orientam como pensar e como representar a realidade contábil. Funcionam como “bússola”.
Exemplo: registrar fatos com base em evidências e coerência, respeitando a essência econômica.
São textos normativos que detalham o que reconhecer, mensurar, apresentar e divulgar.
Exemplo: critérios de reconhecimento de ativos e passivos, depreciação, provisões.
São escolhas entre alternativas aceitas pelas normas, adotadas pela entidade para representar melhor sua realidade.
Exemplo: método de depreciação (linear, unidades produzidas) quando aplicável.
São rotinas práticas: quem registra, quando, com qual documento, em qual sistema.
Exemplo: fluxo de aprovação e lançamento de notas fiscais.
Norma é o “o que deve ser”; procedimento é o “como a organização faz”. Uma boa contabilidade precisa dos dois.
6.3 O que é Estrutura Conceitual?
A Estrutura Conceitual é um conjunto de conceitos fundamentais que dá base às normas. Ela responde perguntas como:
- O que é um ativo?
- O que é um passivo?
- Quando reconhecer um item nas demonstrações?
- Quais características tornam a informação útil?
Se as normas são “as paredes e regras de construção”, a Estrutura Conceitual é o “projeto” que explica por que a casa foi pensada daquele jeito.
6.4 Características qualitativas da informação contábil
Uma informação contábil só é boa se for útil. Em linguagem simples, ela precisa ter:
Ajuda a tomar decisões. Se não muda nada, pode ser irrelevante.
Reflete a realidade com completude, neutralidade e ausência de erro relevante.
Permite comparar períodos e entidades com critérios semelhantes.
Não é “simplificar demais”, mas explicar de modo claro ao usuário.
Um relatório pode ser tecnicamente correto, mas se ninguém entende, falha em compreensibilidade. Um relatório “bonito”, mas incompleto, falha em representação fidedigna.
6.5 Reconhecimento e mensuração: quando e por quanto?
Dois momentos decisivos na Contabilidade são:
- Reconhecer: decidir se algo entra (ou não) nas demonstrações.
- Mensurar: decidir por quanto (valor) será registrado.
Um bem doado: entra como ativo? Qual valor usar? Há evidência? Como divulgar? Essas perguntas existem para proteger a qualidade da informação.
6.6 Julgamento profissional: quando a norma não resolve tudo
Normas ajudam, mas não substituem o julgamento. O contador precisa analisar o contexto e escolher o tratamento que melhor representa a realidade, dentro do que é permitido.
- o caso é diferente do “padrão”;
- há estimativas (ex.: provisões, perdas, vida útil);
- há incerteza significativa;
- há conflito entre forma legal e essência econômica.
Julgamento sem ética vira manipulação. Ética sem julgamento vira formalismo vazio. A boa Contabilidade exige os dois.
6.7 Setor público e setor privado: o que muda?
Os dois setores usam Contabilidade, mas com finalidades e usuários diferentes. Isso afeta ênfases e linguagem.
- foco em desempenho econômico e sustentabilidade financeira;
- usuários: investidores, credores, gestores, mercado;
- ênfase em resultado, risco e continuidade.
- foco em interesse público, transparência e prestação de contas;
- usuários: cidadão, controle, gestores públicos;
- ênfase em accountability e qualidade do gasto.
6.8 Atividade interativa 1 (perfil prático): “Norma ou procedimento?”
Classifique cada item como: (N) Norma, (P) Política ou (R) Rotina/Procedimento.
- Definir método de depreciação adotado pela entidade.
- Exigir documento antes de registrar um gasto.
- Critério de reconhecimento de provisões.
- Fluxo interno de aprovação de compras.
6.9 Atividade interativa 2 (perfil reflexivo): “Informação útil para quem?”
Escolha um fato: compra de merenda, contrato de limpeza, aquisição de veículo, reforma de escola.
Escreva:
- como você comunicaria esse fato para um gestor (linguagem gerencial);
- como você comunicaria para um cidadão (linguagem acessível).
6.10 Minicaso aplicado (perfil analítico): “Regra cumprida, realidade distorcida”
Uma organização escolheu uma política contábil permitida pela norma, mas isso gerou relatórios que parecem “melhores” do que a realidade. Não houve ilegalidade, mas houve perda de representação fidedigna.
Perguntas:
- Como detectar esse tipo de problema?
- Que características qualitativas foram afetadas?
- Como o contador deve agir para manter ética e transparência?
6.11 Síntese do capítulo
- Normas existem para criar padrão, comparabilidade e confiança.
- Princípios orientam; normas detalham; políticas escolhem; procedimentos operacionalizam.
- A Estrutura Conceitual é a base por trás das normas.
- Informação útil precisa de relevância e representação fidedigna, além de comparabilidade e compreensibilidade.
- Julgamento profissional é essencial e deve caminhar com ética.
- [ ] Eu consigo explicar o que é Estrutura Conceitual com uma analogia.
- [ ] Eu consigo diferenciar norma, política e procedimento.
- [ ] Eu consigo justificar por que julgamento profissional é necessário.
Capítulo 7
CONTABILIDADE, TECNOLOGIA E TRANSFORMAÇÃO DIGITAL
- Entender como a tecnologia transformou e continua transformando a Contabilidade.
- Compreender o papel dos sistemas de informação contábil.
- Reconhecer o impacto da automação, dados e análise na profissão.
- Diferenciar tecnologia como ferramenta e como estratégia.
- Refletir sobre o novo perfil do contador no século XXI.
7.1 A Contabilidade antes e depois da tecnologia
Durante muito tempo, a Contabilidade esteve associada a livros em papel, lançamentos manuais e cálculos repetitivos. A tecnologia mudou profundamente esse cenário.
- lançamentos manuais;
- livros físicos;
- apuração lenta;
- alto risco de erro operacional.
- sistemas integrados;
- processamento automático;
- relatórios em tempo real;
- mais tempo para análise e decisão.
A tecnologia não substitui o contador — ela substitui tarefas repetitivas. O valor do profissional está na análise, no julgamento e na comunicação.
7.2 Sistemas de Informação Contábil (SIC)
Um Sistema de Informação Contábil é o conjunto de pessoas, processos e tecnologias que coleta, registra, processa e comunica informações contábeis.
- Pessoas: contadores, gestores, analistas;
- Processos: regras, fluxos, controles;
- Tecnologia: softwares, bancos de dados, integrações.
7.3 Automação contábil: ganhos e limites
A automação trouxe ganhos enormes de eficiência, mas também limites que precisam ser compreendidos.
- redução de erros mecânicos;
- velocidade no processamento;
- padronização;
- escala.
- depende da qualidade dos dados;
- não substitui julgamento;
- pode automatizar erros;
- exige controle humano.
7.4 Dados contábeis e análise: do registro ao insight
Com sistemas digitais, a Contabilidade gera grandes volumes de dados. O desafio deixa de ser registrar e passa a ser analisar.
- evolução de custos por unidade;
- comparação entre períodos;
- indicadores de eficiência;
- detecção de padrões atípicos.
Um painel de custos por escola ou unidade de saúde permite decisões baseadas em evidências e melhora a transparência para o cidadão.
7.5 Tecnologia como estratégia, não só ferramenta
Usar tecnologia apenas para “fazer mais rápido” é pouco. O diferencial está em usar tecnologia para pensar diferente.
- novos relatórios;
- maior transparência;
- integração entre áreas;
- melhor comunicação com usuários.
7.6 O novo perfil do contador
O contador do século XXI combina conhecimento técnico, científico e tecnológico.
- normas contábeis;
- registros e relatórios;
- compliance.
- leitura de dados;
- indicadores;
- uso de sistemas e painéis.
- ética;
- comunicação;
- pensamento crítico;
- visão sistêmica.
7.7 Atividade interativa 1 (perfil prático): “Mapeando um sistema”
Escolha uma organização (empresa, escola, prefeitura).
- Quais dados entram no sistema contábil?
- Quais relatórios saem?
- Quem usa essas informações?
7.8 Atividade interativa 2 (perfil reflexivo): “Tecnologia resolve tudo?”
Responda em 5 linhas: quais problemas a tecnologia resolve e quais continuam dependendo de pessoas e ética?
7.9 Minicaso aplicado: “O sistema caro que não resolveu”
Uma organização investiu em um sistema caro, mas não revisou processos nem treinou pessoas. O resultado foi frustração e dados pouco confiáveis.
Perguntas:
- Onde esteve o erro principal?
- Como alinhar tecnologia, processo e pessoas?
- Qual o papel do contador nesse cenário?
7.10 Síntese do capítulo
- A tecnologia transformou a Contabilidade, mas não substituiu o contador.
- Sistemas de informação são conjuntos de pessoas, processos e tecnologia.
- Automação aumenta eficiência, mas exige controle e julgamento.
- O contador moderno atua como analista, comunicador e guardião da informação.
- [ ] Eu consigo explicar o papel dos sistemas contábeis.
- [ ] Eu consigo diferenciar automação de julgamento profissional.
- [ ] Eu consigo descrever o novo perfil do contador.
Capítulo 8
ÉTICA, RESPONSABILIDADE SOCIAL E PROFISSÃO CONTÁBIL
- Compreender o conceito de ética profissional e sua importância na Contabilidade.
- Relacionar ética, responsabilidade social e confiança pública.
- Conhecer deveres, direitos e responsabilidades do profissional contábil.
- Identificar dilemas éticos comuns e como enfrentá-los.
- Refletir sobre o papel social do contador no setor público e privado.
8.1 Por que ética é central na profissão contábil?
A Contabilidade lida com informações sensíveis que influenciam decisões econômicas, sociais e políticas. Por isso, a ética não é um complemento — é um fundamento da profissão.
Sem ética, a informação contábil perde credibilidade. Sem credibilidade, não há confiança. Sem confiança, não há decisão responsável.
O contador atua como mediador entre a realidade econômica e os usuários da informação. Essa posição exige compromisso com a verdade, a transparência e o interesse público.
8.2 Ética, moral e valores: esclarecendo conceitos
Embora usados como sinônimos no cotidiano, esses conceitos têm sentidos distintos:
Conjunto de valores e costumes aprendidos socialmente (o que uma sociedade considera certo ou errado).
Reflexão crítica sobre a moral, buscando justificar racionalmente as escolhas e condutas.
São princípios que orientam a atuação do contador: integridade, objetividade, competência, confidencialidade e comportamento profissional.
8.3 Responsabilidade social do contador
A responsabilidade social diz respeito aos impactos das ações profissionais na coletividade. Na Contabilidade, isso significa:
- produzir informação útil e compreensível;
- evitar manipulação e omissão;
- contribuir para decisões que melhorem a vida das pessoas;
- fortalecer a transparência e o controle social.
Relatórios claros sobre custos de educação, saúde e assistência social permitem que o cidadão avalie a qualidade do gasto público.
8.4 Código de Ética Profissional: para que serve?
O Código de Ética estabelece padrões mínimos de conduta. Ele não substitui o julgamento moral, mas orienta o comportamento esperado.
- orientar o profissional;
- proteger a sociedade;
- fortalecer a imagem da profissão;
- servir de referência para avaliação disciplinar.
8.5 Dilemas éticos na prática contábil
Dilemas éticos surgem quando há conflito entre interesses, pressões e princípios.
- pressão para “ajustar” números;
- omissão de informações relevantes;
- conflito de interesses;
- uso indevido de informação privilegiada.
- pedido para agir fora da norma;
- falta de documentação;
- justificativas vagas;
- benefício pessoal envolvido.
8.6 Como decidir eticamente? Um roteiro prático
Em situações difíceis, um roteiro simples pode ajudar:
- É legal e está de acordo com as normas?
- É coerente com os valores da profissão?
- Posso justificar publicamente essa decisão?
- Quem pode ser prejudicado?
- Eu me sentiria confortável se isso fosse divulgado?
8.7 Ética no setor público e no setor privado
Embora os princípios sejam os mesmos, o contexto muda.
- foco em resultados e sustentabilidade;
- pressões de mercado;
- responsabilidade perante investidores e credores.
- foco no interesse coletivo;
- maior dever de transparência;
- responsabilidade perante a sociedade.
8.8 Atividade interativa 1 (perfil reflexivo): “O que você faria?”
Você percebe um erro relevante em um relatório já enviado. Corrigir pode gerar conflito com a chefia.
- Quais são as alternativas?
- Quais princípios estão em jogo?
- Qual decisão preserva a ética e a confiança?
8.9 Atividade interativa 2 (perfil prático): “Mapa de responsabilidade”
Liste três decisões contábeis e indique quem pode ser afetado: gestor, cidadão, investidor, órgão de controle.
8.10 Minicaso aplicado: “O número que não podia aparecer”
Um contador identifica que um indicador divulgado não reflete a realidade. A correção pode gerar repercussão negativa.
Perguntas:
- Qual é o risco de não corrigir?
- Qual é o risco de corrigir?
- Qual decisão está alinhada com a responsabilidade social?
8.11 Síntese do capítulo
- Ética é fundamento da profissão contábil.
- Responsabilidade social conecta informação contábil e interesse público.
- Dilemas éticos exigem reflexão e julgamento profissional.
- O contador é agente de confiança, transparência e cidadania.
- [ ] Eu consigo explicar por que ética é essencial na Contabilidade.
- [ ] Eu consigo identificar dilemas éticos comuns.
- [ ] Eu consigo aplicar um roteiro ético para decidir.
Capítulo 9
FORMAÇÃO PROFISSIONAL, MERCADO DE TRABALHO E ATUAÇÃO DO CONTADOR
- Compreender o percurso de formação profissional em Ciências Contábeis.
- Identificar áreas de atuação do contador no setor privado, público e terceiro setor.
- Reconhecer competências mais demandadas pelo mercado (técnicas, analíticas e humanas).
- Entender a lógica de carreira, empregabilidade e reputação profissional.
- Planejar um “mapa de carreira” inicial alinhado ao seu perfil de aprendizagem.
9.1 O que significa “formar-se contador”?
Formar-se em Ciências Contábeis vai além de aprender lançamentos e demonstrativos. Significa desenvolver um conjunto de competências que permitem atuar com responsabilidade, julgamento e capacidade de comunicação.
A formação é um processo de construção: conhecimento técnico + pensamento crítico + prática + ética + tecnologia.
Na prática, o contador aprende a transformar fatos em evidências, evidências em relatórios, e relatórios em decisões responsáveis.
9.2 Áreas clássicas e áreas emergentes da Contabilidade
O mercado de trabalho contábil é amplo e crescente, especialmente com a evolução tecnológica e regulatória.
- Contabilidade geral/societária
- Fiscal e tributário
- Departamento pessoal
- Controladoria
- Auditoria
- Perícia contábil
- Analytics e BI
- Compliance e integridade
- Gestão de riscos
- ESG e relatórios integrados
- Contabilidade pública patrimonial avançada
- Governança e controle social
9.3 Setor privado, público e terceiro setor: o que muda?
O contador pode atuar em diferentes contextos. Cada um exige linguagem e foco específicos.
- foco em resultado, risco e continuidade;
- usuários: gestores, investidores, credores;
- ênfase em eficiência e competitividade.
- foco em interesse coletivo;
- usuários: cidadão, controle, gestores públicos;
- ênfase em transparência, custos e accountability.
- foco em missão social;
- necessidade de prestação de contas a doadores e sociedade;
- ênfase em transparência e eficiência no uso de recursos.
9.4 Competências mais valorizadas hoje
O mercado não busca apenas “quem sabe lançar”. Busca profissionais que interpretam, comunicam e entregam valor.
- normas e relatórios;
- tributário e obrigações;
- custos e controladoria;
- auditoria e controles.
- leitura e tratamento de dados;
- planilhas avançadas;
- painéis e indicadores;
- noções de automação.
- ética e responsabilidade;
- comunicação e escrita;
- negociação e orientação ao cliente;
- pensamento crítico e ceticismo profissional.
9.5 Reputação profissional: o ativo invisível do contador
Em Contabilidade, reputação é um patrimônio. Ela se constrói com:
- qualidade técnica;
- cumprimento de prazos;
- clareza na comunicação;
- confidencialidade;
- coerência ética.
O contador pode errar por falta de conhecimento e corrigir. Mas quando erra por falta de ética, a confiança pode não voltar.
9.6 Caminhos de carreira: modelos possíveis
Não existe uma única carreira. Existem trajetórias.
- assistente → analista → coordenador → gerente
- especialização em custos, controladoria, auditoria
- crescimento por performance e projetos
- carteira de clientes;
- serviços especializados;
- posicionamento e reputação local.
- concursos e progressão;
- áreas: contabilidade, controle, auditoria, planejamento;
- foco em governança, transparência e custo público.
9.7 Atividade interativa 1 (perfil prático): “Meu mapa de carreira em 12 meses”
Escolha uma área de interesse (ex.: custos, auditoria, fiscal, setor público, controladoria, dados).
Monte um plano de 12 meses:
- 3 competências que você vai desenvolver
- 2 projetos práticos (ex.: análise de custos de uma escola, mini auditoria de processos)
- 1 produto final (relatório, painel, artigo, apresentação)
9.8 Atividade interativa 2 (perfil reflexivo): “O que é sucesso profissional?”
Responda em 6–8 linhas: sucesso para você é salário, estabilidade, impacto social, autonomia, reputação, ou combinação? Justifique.
9.9 Minicaso aplicado: “O contador que virou referência”
Uma profissional começou como estagiária em um órgão público. Ela se destacou ao organizar dados, criar relatórios simples para a gestão e traduzir números para linguagem acessível. Em poucos anos, tornou-se referência em transparência e custos.
Perguntas:
- Quais competências ela demonstrou?
- Que atitudes fizeram diferença?
- Como você pode aplicar isso na sua realidade?
9.10 Síntese do capítulo
- Formação contábil é técnica + crítica + prática + ética + tecnologia.
- O contador pode atuar em áreas clássicas e emergentes.
- Competências humanas e digitais são tão importantes quanto as técnicas.
- Reputação é patrimônio profissional.
- Planejar carreira aumenta empregabilidade e propósito.
- [ ] Eu consigo listar áreas de atuação do contador.
- [ ] Eu consigo identificar as competências mais demandadas.
- [ ] Eu consigo montar um plano de carreira inicial.
Capítulo 10
SÍNTESE INTEGRADORA E PROJETO PRÁTICO DO LIVRO 1
- Revisar, integrar e consolidar os principais conceitos do Livro 1.
- Conectar objeto, finalidade, usuários, decisão, ciência, normas, tecnologia, ética e carreira.
- Executar um projeto prático guiado (modelo “mão na massa”).
- Produzir um entregável: relatório ou painel simples com explicação em linguagem acessível.
- Refletir sobre seu estilo de aprendizagem e montar um plano de estudo para o Livro 2.
10.1 A ideia central do Livro 1 em uma frase
Contabilidade é uma linguagem de evidências que representa a realidade patrimonial para apoiar decisões, controle, transparência e responsabilidade social — com base em normas, tecnologia e ética.
10.2 Mapa integrador (do capítulo 1 ao 9)
Vamos conectar tudo em um “mapa” de sentido (pode copiar para o caderno):
- Objeto → Patrimônio e variações (Cap. 2)
- Finalidade → Decidir, controlar, prestar contas (Cap. 2 e 4)
- Usuários → Internos e externos (Cap. 2)
- Estado e sociedade → Transparência, accountability, controle social (Cap. 3)
- Decisão → Método 5P, risco e evidência (Cap. 4)
- Ciência → Método científico e ceticismo (Cap. 5)
- Normas → Estrutura Conceitual, julgamento, qualidade da informação (Cap. 6)
- Tecnologia → Sistemas, automação, análise de dados (Cap. 7)
- Ética → Responsabilidade social e confiança (Cap. 8)
- Carreira → Competências, reputação, mercado (Cap. 9)
10.3 Projeto prático guiado (entregável do Livro 1)
Agora, você vai construir um produto simples que demonstra suas competências iniciais. Você pode escolher um dos dois formatos:
- texto explicativo + tabelas simples;
- ênfase em clareza e justificativa;
- ideal para perfil verbal/reflexivo.
- indicadores + gráficos básicos;
- ênfase em visual e síntese;
- ideal para perfil visual/prático.
10.4 Tema do projeto: “Custo e transparência de um serviço”
Escolha um serviço (pode ser real ou simulado):
- energia, água, limpeza, vigilância, manutenção;
- merenda escolar;
- transporte;
- atendimento de uma unidade de saúde;
- qualquer serviço que você consiga descrever com dados básicos.
Se você tiver dados reais (planilha, relatório, notas, portal), use. Se não tiver, use dados simulados coerentes — mas deixe claro que são simulação.
10.5 Passo a passo (método 5P + evidências)
Escreva em 2 linhas: qual problema ou objetivo?
Exemplo: “Entender o custo mensal de limpeza da unidade X e avaliar se houve aumento relevante no período.”
- Quanto custa no mês?
- Quanto custa por usuário (aluno/atendimento)?
- Por que aumentou/diminuiu?
- O que pode melhorar eficiência?
Liste suas fontes. Exemplos:
- contratos e notas fiscais;
- relatórios contábeis;
- planilhas de consumo (energia/água);
- indicadores de volume (alunos, atendimentos, m², rotas).
Liste 2 a 3 alternativas de decisão:
- renegociar contrato;
- revisar especificação do serviço;
- melhorar controle e fiscalização;
- implementar manutenção preventiva;
- comparar fornecedores / benchmark.
Escolha uma decisão e escreva:
- justificativa baseada nos dados;
- indicador para monitorar (ex.: custo por mês, custo por usuário);
- frequência de acompanhamento (mensal/trimestral).
10.6 Modelo de estrutura do entregável
- Contexto e objetivo
- Dados e evidências utilizadas
- Análise (tabelas, comparações, explicações)
- Conclusão e decisão proposta
- Indicadores para monitoramento
- Título + período
- 3 indicadores principais
- 1 gráfico de evolução (mês a mês)
- 1 bloco “O que isso significa?” (5 linhas)
- 1 bloco “O que fazer agora?” (3 ações)
10.7 Rubrica de avaliação (como será avaliado)
Use esta rubrica para autoavaliação. Ela também serve para avaliação do professor.
- clareza e coerência;
- fontes e evidências;
- comparabilidade.
- interpretação correta;
- decisão justificável;
- indicadores de monitoramento.
- transparência;
- evita manipulação;
- comunicação acessível.
- organização;
- visual limpo (se painel);
- texto objetivo (se relatório).
10.8 Reflexão final: como você aprende melhor?
Para fechar o Livro 1, reflita sobre seu estilo de aprendizagem (visual, auditivo, leitura/escrita, cinestésico ou híbrido) e marque o que funcionou melhor para você:
- [ ] Eu aprendo melhor com mapas e gráficos.
- [ ] Eu aprendo melhor explicando em voz alta e discutindo.
- [ ] Eu aprendo melhor lendo e escrevendo resumos.
- [ ] Eu aprendo melhor fazendo atividades práticas.
10.9 Síntese do capítulo
- O Livro 1 constrói fundamentos: objeto, finalidade, usuários e responsabilidade.
- A Contabilidade moderna integra ciência, normas, tecnologia e ética.
- O projeto prático transforma teoria em competência demonstrável.
- Planejamento de carreira e aprendizagem contínua completam a formação.
- [ ] Eu consigo explicar o que é Contabilidade com foco em evidências.
- [ ] Eu consigo identificar usuários e comunicar informação de forma acessível.
- [ ] Eu consigo aplicar método (5P) para tomar decisões com dados.
- [ ] Eu consigo reconhecer limites e importância de normas e ética.
- [ ] Eu consegui produzir um entregável (relatório ou painel).
No Livro 2, avançaremos para fundamentos técnico-conceituais de Ativo, Passivo, Patrimônio Líquido, Variações e a lógica das demonstrações contábeis, com exemplos e exercícios progressivos.
Contracapa
Este volume inaugura a Coleção Autoral da Escola de Contabilidade PJP para o Curso de Ciências Contábeis. Com linguagem acadêmica acessível, exemplos aplicados e atividades guiadas, o livro apresenta a Contabilidade como linguagem de evidências a serviço da decisão, da transparência e da responsabilidade social.
- Estudantes que estão iniciando a formação em Ciências Contábeis;
- Profissionais que desejam revisar fundamentos com foco contemporâneo;
- Gestores e interessados em compreender a utilidade social da Contabilidade.
- Mapas integradores e sínteses por capítulo;
- Atividades interativas para diferentes estilos de aprendizagem;
- Minicasos aplicados ao setor privado e ao setor público;
- Projeto prático final com rubrica de avaliação.
Jozenei Silva Pereira é professor e pesquisador na área de Contabilidade, com atuação no setor público e em projetos de transparência, custos e melhoria da informação contábil. Integra iniciativas educacionais e tecnológicas voltadas à formação de contadores com ética, competência e compromisso social.
Alagoinhas — BA
WhatsApp: (75) 99816-7814
E-mail: jspconsultoria@gmail.com
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